Blog do Pr. Afrânio

O PASTOR "BOLA DE FOGO"

Teologia e lógica…

Num desses dias, estava eu Lendo algo sobre  uma teologia que se chama de teísmo aberto ou Teologia Relacional. Segundo a Matéria, esta teologia ensina que Deus abriu mão da prerrogativa de saber o futuro e que o porvir é, para Deus, uma surpresa tão grande como é para nós. Deus, então, estaria vivendo a história com a mesma intensidade que nós a vivemos. Eu retruquei dizendo que Deus não precisa ab-rogar sua sabedoria sobre o futuro para viver intensamente a história, pois Cristo sabia que Lázaro ressuscitaria e, mesmo assim, chorou. Deus consegue se auto-esvaziar para solidarizar-se conosco sem precisar dispor de sua onisciência. No entanto, segundo o seminarista, essa solidariedade era o grande motivo para o abandono de prerrogativa da onisciência por parte do Senhor.
Perguntei-lhe, ainda, como esta teologia explicava as profecias, uma vez que grande parte delas se referia ao futuro. Respondeu-me que as profecias não eram antevisões do futuro, mas decretos de Deus e, portanto, inexoráveis. Disse-lhe que isso parecia fazer sentido em relação a profecias como as que se cumpriram na vida de Jesus Cristo. Mas e quanto àquelas de aviso, como a de que Pedro negaria a Cristo três vezes antes do cantar do galo ou o anúncio da traição de Judas Iscariotes? Se elas se enquadram nos decretos, Deus é culpado, pois, ao decretar que Pedro ou Judas faria o que deles foi dito, deixou-os sem escolha a não ser a de pecar segundo a palavra divina; logo, não poderiam ser passíveis de juízo, pois estavam amarrados a um desígnio inexorável. Há situações que foram pré-determinadas, até como juízo, mas foram devidamente anunciadas como tal – como no caso do endurecimento do coração de Faraó na ocasião do êxodo judeu. Cristo, porém, disse que os escândalos eram inevitáveis, mas não os escandalizadores (Mateus 18.7-9). Retorqui, então, que se todo aviso que se encontra na Bíblia é o deflagrar de um desígnio, então a história está mais para um grande teatro do que para o desenrolar de uma batalha pela salvação da humanidade.

Outra coisa que mencionei foi que o fato de Deus não conhecer o futuro não é uma questão de abrir mão da onisciência, mas de abrir mão da eternidade, porque nesta não há passado, presente ou futuro – tudo está vívido diante do Eterno. Logo, para Deus não saber, Ele tem de sair do estado eterno; e quem sai do estado eterno nada sabe, apenas suspeita, uma vez que graças a uma visão limitada e rarefeita fica-se condenado à interpretação das informações, sobre as quais até a certeza é relativa. Se Deus abriu mão de saber tudo, então abriu mão da eternidade, e isso significa abrir mão da divindade, se não como natureza, como sujeito da mesma, de forma como fez Jesus de Nazaré. E se Deus nada sabe, como pode decretar, uma vez que os fatos não caem de pára-quedas sobre a história, senão como corolário de um sem número de movimentos? Para decretar algo na história é preciso saber onde a história estará em determinado momento, uma vez que decretar é impor uma das variantes possíveis.

Além disso, nós sabemos que o Filho sacrificou-se assim em um determinado lapso dc tempo. Mas quando esta teologia fala desse sacrifícío divino, ela está falando do quê? Da Trindade ou de uma das Pessoas? O que ela prega não seria sacrifício sobre sacrifício? Ou pior, não seria o fim de Deus? Essa teísmo aberto não seria apenas uma derivação da teologia da morte de Deus? Finalmente, eu disse ao seminarista: Essa teologia não faz sentido e teologia tem de ter um mínimo de lógica.

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